sábado, 7 de maio de 2011

taurus

hoje à noite mais cedo num ônibus vazio, volume alto no espírito, headphone no ouvido. videoclipe. de copacabana ao centro, um momento. olha a lua crescendo no parque do flamengo! o corpo é celeste em cima do corcovado. árvores e luzes dos postes e prédios em alta velocidade.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

sobre "cisne negro"

um ator em cena deve ser. mais do que se é do lado de fora. é ser de um jeito que é especial, ao passo que é simples - tão simples como o ser fora de cena por vezes já não é mais.

o que eu tive de mais forte na experiência hoje à noite com "cisne negro" foi assistir de forma emocionalmente 'pornográfica' tamanha luta em buscar aquilo que não se pode alcançar porque não se é. e não se é?

tal luta é tão somente para se ser o que se pensa não ser.

nós somos muitos, somos um mundo! alguns elementos e processos já foram mapeados, racionalizados; mas outros não. experiências certamente virão! mas cada um tem seu tempo, tem um timing. "cisne negro" é, entre tantas coisas que poderiam ser ditas, sobre a profunda violação desse tempo particular de uma pessoa. e um dos filmes mais perturbadores que eu já prazerosamente sofri ao ver.

terça-feira, 20 de julho de 2010

teto

andei vendo o céu. olhava pro alto, pro ponto mais alto, e via constelações agrupadas. era dia, céu azul, sol. constelações juntas, ofuscadas pela claridade do teto, mas ainda definidas. fantasmagóricas, antigas. supremas.

não havia testemunhas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

adentro

um turbilhão de desejo e medo, de pausa e continuação, de suplantação mas superação; de rancor, de amor, de paixão.

sábado, 29 de maio de 2010

no espaço circunvizinho

fazia a curva de sempre na rua para entrar no meu prédio. meu amigo rodolfo inusitadamente estava no carro comigo. olhei à minha diagonal esquerda e o tempo se esticou no que eu avistei o porteiro conversando com meu pai - que se sentava à beira da jardineira do muro do prédio. a lembrança inevitável de que ele já morreu. o comentário de rodolfo de que

então ele está por aqui (movimentando o dedo indicador como quem aponta o espaço circunvizinho).

e eu a fitar o meu pai de dentro do carro como uma câmera lenta e zoom na direção do seu rosto. já esperava o momento em que a imagem se desmancharia. e o rosto virou um outro.

mas o desejo de que ele esteja por aqui

sábado, 1 de maio de 2010

estações

no clima, a ordem das estações é primavera - verão - outono - inverno.

mas noutro terreno, a ordem, o mandamento, é a chegada do sol de paixão - o desabrochar de flores do amor - o desaguar das lágrimas de decepção - e finalmente a queda dos sentimentos ressecados.