quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ainda fernanda

sendo bem piegas, e tão verdadeiro quanto só a maior das pieguices poderia ser:
feita de amor.

sábado, 20 de agosto de 2011

dois faróis em luz alta

já é madrugada. uma noite chuvosa e meio fria que me lembra que, afinal, é inverno. porque os dias têm sido quentes demais até pro inverno carioca, que, muitas semanas atrás, sentiu frio de uns poucos graus positivos. e neste instante eu me recordo de alguém dizer que nada pode ser mais verdadeiro do que o clichê. e aquela mulher... ah, como parece ter me inquietado definitivamente! lembro também, agora, de quando vi a primeira vez "mulholland drive", de david lynch, e aquilo transformou minha percepção de arte. aquela mulher, ali naquele palco do teatro dulcina, no rio de janeiro, nesta noite... colaborou pra mais uma irrevogável mudança nalguma parte de mim que agora é hemorragia.

os clichês dizem: 'a melhor atriz brasileira'; 'um de nossos grandes orgulhos'; e, o mais clichê dos clichês, 'show de interpretação'. mas eles estão certos, todos certos! só que... já não se trata mais de nome, 'renome' (outro clichê sem vergonha)... eu posso tentar aqui dizer do que se trata. são as escolhas feitas; é a longa história vivida; é a memória. é a energia vital; é o inexplicável. é a alma reluzente que traspassa os dois olhos marejados, enormes, como dois faróis em luz alta, que vi.

no palco, perto do proscênio, apenas uma cadeira. nesta, uma luz incidente e mais duas vindas das laterais. e quando as da platéia se apagam, lá vem ela caminhando de uma das coxias do lado esquerdo. numa passada elegante, austera... mortal. "quando fernanda montenegro se sentou numa cadeira, o acontecimento teatral estava estabelecido. quando quase imóvel começou a falar, não havia dúvida de que o invisível se tornava nítido (...)", escreveu manoela sawitzki da revista bravo. e a partir daí, já não é mais talento, técnica, texto; já nem é mais simone de beauvoir sobre jean-paul sartre. já não é mais sequer o grande amor retratado! é tão somente uma força misteriosa, indizível, naquela calça preta, quase imóvel à cadeira, mas numa camisa branca, pulsante, e num cabelinho curto, preso, em erupção. essa tal força misteriosa, que me arrebatou e desconstruiu. no palco, somente a luz, a cadeira e aquela mulher - iluminada e radiante, que ao fim de 60 minutos de espetáculo me roubou por completo a alma, e, sabe-se lá, irá devolver!

os clichês estão muito certos, é claro. mas eu arrisco e inteiramente me responsabilizo: testemunhei em "viver sem tempos mortos", no palco do recém reaberto teatro dulcina, na noite do dia 20 de agosto de 2011, a vida tão viva aos oitenta anos da maior atriz deste mundo, fernanda montenegro. eu me sinto mais atento, mais vivo. obrigado, fernanda. não vou, e nem poderia, esquecer.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

se meu amor me partisse o coração e eu tivesse que fazer uma música, poderia fazê-la como robyn. e escreveria minha dor em versos cheios de ironia e azedume. e poria na música uma melodia melancólica e uma batida dançante. e se tivesse que vir um clipe, nele eu dançaria. e dançaria, e só dançaria. no fim, exausto e satisfeito, encararia a câmera mais de perto, numa expressão vivaz. como se eu não tivesse passado, nããão..., pelo que passei tão de verdade. tão unicamente - e sempre incomparavelmente. um olhar de quem sentiu dor, mas - e somente por isso! - já esqueceu de expressa-la.


call her! ;)

 

domingo, 8 de maio de 2011

doce mofado

nesse domingo das mães eu descobri, só vários dias depois, que aquela que me fazia as cocadas mais gostosas do mundo de repente se foi. minha madrinha, que eu vi já nem lembro bem quando. é como se, agora, eu tivesse esquecido na cozinha uma daquelas suas latas com as cocadas.

tempo. sempre ele.
na sua dança, é ele quem leva.

sábado, 7 de maio de 2011

taurus

hoje à noite mais cedo num ônibus vazio, volume alto no espírito, headphone no ouvido. videoclipe. de copacabana ao centro, um momento. olha a lua crescendo no parque do flamengo! o corpo é celeste em cima do corcovado. árvores e luzes dos postes e prédios em alta velocidade.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

beautiful madonna

"something's missing and i don't know why
i always feel the need to hide my feelings from you
is it me or you that i'm afraid of
i tell myself i'll show you what i'm made of
can't bring myself to let you go

i don't want to cause you any pain
but i love you just the same
and you'll always be my baby
in my heart i know we've come apart
and i don't know where to start
what can i do, i don't wanna feel blue

bad girl drunk by six
kissing someone else's lips
smoked too many cigarettes today
i'm not happy when i act this way

bad girl drunk by six
kissing some kind stranger's lips
smoked too many cigarettes today
i'm not happy, i'm not happy

something's happened and i can't go back
i fall apart every time you hand your heart out to me
what happens now, i know i don't deserve you
i wonder how i'm ever gonna hurt you
can't bring myself to let you go

i'm not happy this way"

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

sobre "cisne negro"

um ator em cena deve ser. mais do que se é do lado de fora. é ser de um jeito que é especial, ao passo que é simples - tão simples como o ser fora de cena por vezes já não é mais.

o que eu tive de mais forte na experiência hoje à noite com "cisne negro" foi assistir de forma emocionalmente 'pornográfica' tamanha luta em buscar aquilo que não se pode alcançar porque não se é. e não se é?

tal luta é tão somente para se ser o que se pensa não ser.

nós somos muitos, somos um mundo! alguns elementos e processos já foram mapeados, racionalizados; mas outros não. experiências certamente virão! mas cada um tem seu tempo, tem um timing. "cisne negro" é, entre tantas coisas que poderiam ser ditas, sobre a profunda violação desse tempo particular de uma pessoa. e um dos filmes mais perturbadores que eu já prazerosamente sofri ao ver.