quinta-feira, 1 de setembro de 2011
ainda fernanda
sábado, 20 de agosto de 2011
dois faróis em luz alta
os clichês dizem: 'a melhor atriz brasileira'; 'um de nossos grandes orgulhos'; e, o mais clichê dos clichês, 'show de interpretação'. mas eles estão certos, todos certos! só que... já não se trata mais de nome, 'renome' (outro clichê sem vergonha)... eu posso tentar aqui dizer do que se trata. são as escolhas feitas; é a longa história vivida; é a memória. é a energia vital; é o inexplicável. é a alma reluzente que traspassa os dois olhos marejados, enormes, como dois faróis em luz alta, que vi.
no palco, perto do proscênio, apenas uma cadeira. nesta, uma luz incidente e mais duas vindas das laterais. e quando as da platéia se apagam, lá vem ela caminhando de uma das coxias do lado esquerdo. numa passada elegante, austera... mortal. "quando fernanda montenegro se sentou numa cadeira, o acontecimento teatral estava estabelecido. quando quase imóvel começou a falar, não havia dúvida de que o invisível se tornava nítido (...)", escreveu manoela sawitzki da revista bravo. e a partir daí, já não é mais talento, técnica, texto; já nem é mais simone de beauvoir sobre jean-paul sartre. já não é mais sequer o grande amor retratado! é tão somente uma força misteriosa, indizível, naquela calça preta, quase imóvel à cadeira, mas numa camisa branca, pulsante, e num cabelinho curto, preso, em erupção. essa tal força misteriosa, que me arrebatou e desconstruiu. no palco, somente a luz, a cadeira e aquela mulher - iluminada e radiante, que ao fim de 60 minutos de espetáculo me roubou por completo a alma, e, sabe-se lá, irá devolver!
os clichês estão muito certos, é claro. mas eu arrisco e inteiramente me responsabilizo: testemunhei em "viver sem tempos mortos", no palco do recém reaberto teatro dulcina, na noite do dia 20 de agosto de 2011, a vida tão viva aos oitenta anos da maior atriz deste mundo, fernanda montenegro. eu me sinto mais atento, mais vivo. obrigado, fernanda. não vou, e nem poderia, esquecer.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
doce mofado
sábado, 7 de maio de 2011
taurus
sábado, 19 de fevereiro de 2011
beautiful madonna
i always feel the need to hide my feelings from you
is it me or you that i'm afraid of
i tell myself i'll show you what i'm made of
can't bring myself to let you go
i don't want to cause you any pain
but i love you just the same
and you'll always be my baby
in my heart i know we've come apart
and i don't know where to start
what can i do, i don't wanna feel blue
bad girl drunk by six
kissing someone else's lips
smoked too many cigarettes today
i'm not happy when i act this way
bad girl drunk by six
kissing some kind stranger's lips
smoked too many cigarettes today
i'm not happy, i'm not happy
something's happened and i can't go back
i fall apart every time you hand your heart out to me
what happens now, i know i don't deserve you
i wonder how i'm ever gonna hurt you
can't bring myself to let you go
i'm not happy this way"
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
sobre "cisne negro"
um ator em cena deve ser. mais do que se é do lado de fora. é ser de um jeito que é especial, ao passo que é simples - tão simples como o ser fora de cena por vezes já não é mais.
o que eu tive de mais forte na experiência hoje à noite com "cisne negro" foi assistir de forma emocionalmente 'pornográfica' tamanha luta em buscar aquilo que não se pode alcançar porque não se é. e não se é?
tal luta é tão somente para se ser o que se pensa não ser.
nós somos muitos, somos um mundo! alguns elementos e processos já foram mapeados, racionalizados; mas outros não. experiências certamente virão! mas cada um tem seu tempo, tem um timing. "cisne negro" é, entre tantas coisas que poderiam ser ditas, sobre a profunda violação desse tempo particular de uma pessoa. e um dos filmes mais perturbadores que eu já prazerosamente sofri ao ver.